7/21/2009

Palavras de Joaquim Nabuco, final do século XIX.

[NABUCO, Joaquim. “O abolicionismo”. São Paulo/Rio de Janeiro: Cia Editora Nacional/Civilização Brasileira S.A., 1938.]


“O processo natural pelo qual a Escravidão fossilizou nos seus moldes a exuberante vitalidade do nosso povo durou todo o período do crescimento, e enquanto a Nação não tiver consciência de que lhe é indispensável adaptar à liberdade cada um dos apparelhos do seu organismo de que a escravidão se apropriou, a obra desta irá por deante, mesmo quando não haja mais escravos”


“O nosso caracter, o nosso temperamento, a nossa organização toda, phisica, intellectual e moral, acha-se terrivelmente affectada pelas influencias com que a escravidão passou trezentos annos a permear a sociedade brasileira. A empreza de annullar essas influencias é superior, por certo, aos esforços de uma só geração, mas, emquanto essa obra estiver concluída, o Abolicionismo terá sempre razão de ser”.


Pense na atualidade destas palavras.

2 comentários:

  1. Na verdade, essa influência foi embutida no nosso ser sorrateiramente, sem que percebêssemos. No nosso caso, os brasileiros, não conseguimos identificá-la porque foi enraizada pela tradição, com nossos avós. Naquele tempo, o conhecimento era produto de poucos e, geralmente, de quem detinha o poder. Seja ele econômico, político, educacional e, ou até mesmo religioso. Para que houvesse produção, mesmo sem a visível escravidão, alguém tinha que suar. Ela, a escravidão, estava camuflada. Como podemos nos libertar, hoje, dessas influências num mundo ´totalmente globalizado e capitalista onde a produção está acima da vida, ou seja, do ser humano. É, com certeza o caminho é a educação. A educação faz com que antes de fazermos qualquer coisa, possamos refletir, pensar e, finalmente, agir com consciência. Como disse José Arthur Giannotti "O importante da educação não é apenas formar um mercado de trabalho, mas formar uma nação, com gente capaz de pensar". Que possamos quebrar as algemas do nosso interior para sermos livres como nascemos. Já dizia Rousseau "O homem nasceu livre, e em todos os lugares ele está acorrentado".

    J. C. Franklin de Andrade - um visionário em ascensão.

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  2. Muito bom o texto, porem visualizamos que a nossa historia ainda faz certos escravismos sejam eles alienados ou não, a fim de atender uma minoria “privilegiada” pelo pedaço de papel moeda circulante em nossa sociedade. Mas de fato qual a diferença de sermos colonizados e doutrinados de sermos escravizados?
    Obrigado pelo espaço Prof. Gidalti Guedes. Assina J.F.S.

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