9/29/2009

A GRAÇA DE VIVER UMA RELAÇÃO DE COMUNHÃO COM DEUS

Texto Bíblico Motivador: Lucas 15.11-32.

Toda pessoa que busca amadurecimento espiritual deve dedicar-se ao conhecimento da Graça de Deus. Sem sombra de dúvida, a Graça é o ensinamento central do Evangelho de Cristo e traz consigo princípios tão desafiadores, que ainda hoje a comunidade cristã possui dificuldade de compreendê-la.

Para auxiliar neste crescimento espiritual, este estudo apresenta não somente um conceito metafísico, abstrato e legalista sobre a Graça; mas sim, fala de uma experiência cotidiana, onde o ser humano, pecador, desfruta graciosamente da comunhão com Deus.

A parábola do Pai que perdoa e acolhe

Lucas 15.11-32 é um dos maiores exemplos bíblicos da Graça de Deus. A palavra graça (charis) não aparece no texto, mas seu significado toma forma nas relações que são estabelecidas entre um pai de seus dois filhos.

O filho mais moço foi para longe do pai, para desfrutar irresponsavelmente dos deleites e prazeres efêmeros que o dinheiro pôde lhe proporcionar. Orgulhoso,

ele procurou seu próprio caminho. Mas o pai manteve inabalável o seu amor. Ele permaneceu ali, esperançoso que um dia seu filho mais moço retornaria ao lar.

Após frustrar-se com suas escolhas, o filho reconheceu seus erros. E mais, quando se achou desamparado, creu que ao retornar para casa, seria recebido por seu Pai. Esta é a fé sem a qual ninguém agrada a Deus (Hebreus 11.6), pois aquele que crê nunca duvida do amor e da graça do Pai.

Ao retornar para casa, o moço se humilhou e confessou seus erros diante do pai, o qual, com muita alegria, o perdoou e o acolheu. Uma vez de volta ao lar, o filho foi curado, vestido e pode celebrar seu retorno com todos. É desta forma que Deus trata o pecador arrependido.

A Graça de Deus revelada na comunhão

A teologia cristã muito se preocupou em falar de Deus de modo lógico e sistemático.

O próprio apóstolo Paulo se viu diante da necessidade de definir conceitualmente a Graça, o que fez com muito êxito (Efésios 2.1-10). Entretanto, muitos conceitos não conseguem expressar a dinâmica e a complexidade da vida de comunhão com Deus. Esta parábola ajuda a compreender que a Graça se revela quando Deus estabelece uma relação de amor com o ser humano.

Importa aqui retomar a conjugação original do verbo “ser” em Efésios 2.8. Onde se lê “pela graça sois salvos”, deve-se ler “tende sido salvos”. Isso indica que salvação não pode ser compreendida simplesmente como um estado, ou um título do crente. Ser salvo é experimentar da Graça de viver uma relação com Deus baseada no Seu infinito amor.

Desfruta-se da Graça quando se vive a comunhão com Deus, pois o ser humano nunca conseguirá manter uma relação de igualdade e reciprocidade para com Deus. Ele sempre vai além do pecador, pois o ama primeiro e de modo perfeito. Por outro lado, ainda que busque de todo coração, o ser humano é sempre passivo de erros, de falhas, nunca vindo a ser merecedor do perdão, e de toda sorte de bênçãos.

Ainda assim, Deus deseja reconciliar consigo mesmo o mundo, “não imputando aos homens as suas transgressões” (2 Co 5.19). Ele está sempre disposto a acolher, corrigir e ensinar, pacientemente.

Como somos salvos?

Sabe-se que a salvação é dom gratuito. Porém, isto significa que todos serão salvos? Significa que todas as pessoas desfrutam desta relação de comunhão com Deus? Em João 3.16, todo aquele que crer em Jesus será salvo; em Romanos 1.17, “o justo viverá por fé”; em Efésios 2.8, a salvação se dá “mediante a fé”. Deste modo, a resposta é: será salva a pessoa que tem fé. Mas então, questiona-se: como viver esta fé de modo a termos acesso à Graça?

Na Igreja medieval, a fé deveria ser vivida pela participação nos sacramentos do batismo e da eucaristia, e na prática das boas obras. A Igreja se portava como mediadora da Graça. O protestantismo deu destaque à salvação pela fé. Porém, muitos passaram a confundir a fé com o confessionalismo. A ênfase estava em reconhecer como verdadeiros estes ou aqueles postulados teológicos. Outra vez a Igreja buscou a autoridade de distinguir salvos de condenados, porém, pelo critério de fidelidade teológica.


Na “parábola do pai que perdoa e acolhe”, não há sacramentos ou rituais, não há boas ações ou méritos próprios, nem mesmo ocorrem debates teológicos. Simplesmente, um filho reconhece que é pecador, confessa que sua vaidade e orgulho conduziram seus pés em caminhos tortuosos. Também, ele confia de todo coração que o amor do Pai é maior que suas culpas.

Para não esquecer

A fé que conduz à salvação é uma mescla de sentimentos, tais como a humildade, a confiança no amor de Deus, e o desejo de viver em comunhão com Ele. Nesta relação com Deus, revela-se a Graça, a bênção de estar ao Seu lado, ainda que sejamos imperfeitos, porém sempre dispostos a mudar.

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