10/28/2009

O Cristão e o Dinheiro

INTRODUÇÃO

A “teologia da prosperidade” comumente difundida no meio evangélico representa um dos maiores desafios pastorais da atualidade. Numa tentativa de diálogo entre a fé cristã e o neoliberalismo presente no mundo capitalista, muitos teólogos têm defendido alternativas que, em muitos aspectos, colocam de lado elementos centrais da fé cristã, para que o “crente-capitalista” possa encontrar no discurso religioso um amparo para seus desejos de acúmulo, consumo e poder. Diante deste desafio teológico-pastoral, apresentamos esta breve reflexão sobre o trato com o dinheiro e os bens materiais à luz da tradição cristã wesleyana. Além de buscar suprir os requisitos deste curso de pós-graduação, o texto tem como objetivo alcançar as comunidades locais nos Campos Missionários da Amazônia – Igreja Metodista, carentes de maiores reflexões metodistas sobre o tema, daí porque o ligeiro esforço por utilizar uma linguagem teológica mais acessível.


1. Por quÊ falar em dinheiro?

Nas últimas décadas acompanhamos a emergência da teologia da prosperidade. Esta teologia tem apresentado, pelos meios de comunicação de massa, uma proposta de vida cristã que admite como elemento central o acúmulo de bens materiais. Pode-se afirmar, sem dúvida, que esta proposta teológica está mais firmada nos princípios de vida neoliberais que na própria Bíblia. A leitura da Bíblia tem sido condicionada por “lentes” que direcionam a interpretação dos textos, de modo que esses tragam legitimidade ao desejo de acúmulo de bens e poder de consumo.

De certo modo, podemos encontrar raízes da teologia da prosperidade na própria história da Igreja. Tanto as reformas religiosas do século XVI quanto o capitalismo (mercantilismo) fizeram parte de um mesmo momento histórico, quando ambos objetivavam a superação do Feudalismo. Mesmo que de forma não planejada, protestantismo e capitalismo desfrutaram de certa interdependência. Entretanto, ainda que permitisse a obtenção de lucro e a liberdade de iniciativa quando ao comércio, a ênfase da teologia protestante estava na justificação pela Graça, mediante a fé em Cristo Jesus, o Senhor. A fé é tida como instrumento de Deus na vida humana, reconciliando criatura (em pecado) com seu Criador (em santidade).

O agir “invisível” (interior) da Graça de Deus torna impossível que alguém consiga distinguir entre salvos e não salvos. No entanto, a tradição protestante sempre evocou a necessidade dos frutos de arrependimento, isto é, uma conduta pessoal em concordância com os ensinos da Palavra de Deus, o que se tornaria uma espécie de indicativo que o pecador abriu seu coração para o real agir de Deus em sua vida. A Teologia da Prosperidade, por sua vez, passa a considerar o bem estar financeiro como uma evidência externa da ação de Deus na vida do pecador. Os bens materiais passam a ter certo valor sacramental na vida do crente, que pode vir a afirmar: – sei que Deus está comigo porque sou uma pessoa financeiramente próspera.

Inicialmente difundida pelas igrejas neo-pentecostais, essa teologia do neoliberalismo tem influenciado determinantemente as igrejas cristãs históricas, tanto os Ministros da Palavra quando as comunidades locais. Muitos, uma vez desprovidos de maturidade bíblico-teológica, aderem às novas tendências; outros, municiados de coerente conhecimento doutrinário, adotam uma postura crítica. De fato, número expressivo das comunidades cristãs históricas se vê em crise diante da imposição da religião de mercado e da prosperidade.

Em reação a essa crise, muitos líderes têm encontrado dificuldade de falar de dinheiro durante suas atividades enquanto doutrinadores das comunidades, buscando sequer serem confundidos com um defensor da teologia da prosperidade. Com essa postura, deixam de ensinar sobre aspectos fundamentais para a saúde espiritual de suas comunidades, que ficam carentes de orientações sobre: que postura espiritual o cristão deve manter frente os bens materiais? Como lidar no dia-a-dia com as finanças pessoais e familiares? O que deve ser prioritário para o cristão que é bem sucedido financeiramente? Como o cristão deve agir para com o pobre necessitado? Etc.

Neste cenário religioso, necessário se faz que voltemos a falar em dinheiro, não a partir de novas teologias infundadas, mas a partir de uma reflexão séria firmada na Palavra. Aqui, tomamos como referencial teológico para esta reflexão as próprias Escrituras e a tradição wesleyana (Semões 50 – O uso do dinheiro, e 51 – O bom mordomo), dos quais nos apropriamos num movimento dialético que indicará subsídios para uma teologia e uma ética cristã fiel à Palavra e adequada às necessidades atuais.


2. Qual é a raiz de todos os males?

Dois textos bíblicos possuem vital importância no estudo desta relação entre o cristão e o dinheiro: Mateus 6:19-21 e 6:25-34 (Almeida, RA), os quais citamos abaixo:

Mateus 6:19-21

19 Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; 20 mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; 21 porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

Mateus 6:25-34

25 Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que hábeis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? 26 Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? 27 qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso de sua vida? 28 E por que andeis ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. 29 Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. 30 Ora, se Deus veste assim à erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? 31 Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? 32 Porque os gentios é que procuram todas estas cousas: pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; 33 buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas. 34 Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.

Esses textos fazem parte de um mesmo bloco temático, dentro do Sermão do Monte, no Evangelho de Mateus. De modo geral, estes textos nos indicam que os bens materiais não devem ter primazia sobre o Reino de Deus. Fica evidente a preocupação de Jesus em advertir seus discípulos do perigo do dinheiro ocupar o lugar de Deus no coração do ser humano [assim como todo o poder, os prazeres e as vantagens que o dinheiro possa proporcionar]. Neste aspecto, não há como negociar a fé. Os princípios do Evangelho devem nortear os sentimentos e a conduta cristã de modo que o Reino de Deus esteja em primeiro lugar.

É a partir deste princípio que a comunidade de Jerusalém assumiu uma prática de partilha de bens e relativização do conceito de privado, de propriedade particular. Entretanto, esse estilo de vida firmado no desprendimento e partilha dos bens materiais encontrou dificuldade de se perpetuar, tanto em Jerusalém como nas comunidades paulinas. Motivo pelo qual o Apóstolo Paulo escreveu à Timóteo as seguintes palavras:

1 Timóteo 6:3-10

3 Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, 4 é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, 5 altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro. 6 De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. 7 Porque nada temos trazido para o mundo, nem cousa alguma podemos levar dele. 8 Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. 9 Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. 10 Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.(Almeida, RA)

Em suas palavras, Paulo busca atualizar para o contexto dos gentios a mensagem do Evangelho, fazendo uma severa advertência, concluída com o texto: “Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males”. A simples leitura, sem maior esforço exegético-interpretativo, já nos dá condições de afirmar que o plano salvífico de Deus manifestado em sua multiforme Graça não tem como prioridade a prosperidade financeira dos cristãos, o que torna a “teologia da prosperidade” perigosa heresia, num desvio radical das mensagens bíblicas.

Sobre este assunto, inclusive, Wesley oferece abertura para o entendimento que a plena manifestação da vontade de Deus na sociedade, pela ação do Espírito, torna desnecessário a utilização do dinheiro e a própria propriedade privada, quando ele recorda o exemplo da comunidade de Jesuralém. Para ele, o dinheiro faz parte das contingências humanas após a queda (Cf. OW. Tomo III, p.223.).

Por outro lado, Wesley não atribui ao dinheiro em si a causa de todos os males, mas à natureza humana, uma vez comprometida pelo desamor, pela cobiça, ganância, egoísmo, etc.

Ha sido ciertamente forma de expresión común entre poetas, oradores y filósofos en casi todas las épocas y naciones, el referirse insistente y quejosamente a las riquezas como la gran corruptora del mundo, la ruina de la virtud, la peste de las sociedades. (...) Pero, ¿no son todas estas palabras hinchadas y necias? Hay en ellas una razón sólida? De ninguna manera. Porque, al dejar que el mundo se corrompa a su antojo, ¿debe culparse a la plata e al oro? <>, como sabemos, es la <>, pero no el dinero en si mismo”.( OW. Tomo III, p.222 e 223)

O dinheiro não é visto como algo negativo, mas neutro, podendo ser usado tanto para o bem, como para o mau. O metodismo primitivo não era contra a aquisição de riquezas, mas contra o espírito ganancioso e egoísta. Portanto, qual é a raiz de todos os males? O dinheiro? Não, o ser humano, quando este considera como seu deus o dinheiro, e busca seu acúmulo como principal objetivo de sua vida, colocando em segundo plano o cuidado para consigo mesmo, para com o próximo, e para com a natureza, entrando em completa desarmonia com os princípios do Evangelho de Cristo. Somente aquele que ama a Deus e ao próximo e despreza as vaidades deste mundo possui maturidade espiritual para lidar com as posses materiais, de modo que a administração de seus recursos sirva de testemunho do Evangelho no mundo.

3. Princípios CRISTÃOS no trato com o dinheiro

Vivemos num mundo capitalista, onde as relações comerciais são necessárias e imprescindíveis para a sobrevivência de uma pessoa e seus familiares. Por mais que a essência do evangelho seja mais profunda que as questões materiais, o cristão e a igreja se vêm obrigados a lidar com o dinheiro durante todo o tempo. Podemos dizer que o dinheiro é importante para a vida, talvez não em outra época, quando se realizavam trocas, mas hoje sim. Por isso, neste tópico, meditaremos sobre alguns princípios cristãos no trato com o dinheiro, com o objetivo sermos hábeis administradores de nossos recursos sem negar a proposta de vida apresentada por Cristo Jesus.


3.1. Ganha tudo o que puderes

O primeiro princípio cristão no trato com dinheiro, num mundo capitalista, é este: ganha tudo o que puderes. De certa forma, este princípio está de acordo com os intentos do mundo capitalista. Tudo que vier a mão para fazer, devemos fazer com toda dedicação, não como que para homens, mas para Deus. Todo trabalho, qualquer que seja, deve ser executado com afinco, para que dele tenhamos bom proveito. O cristão deve ser conhecido por sua seriedade, responsabilidade e diligência no trabalho. Todo aquele que age desta forma, dá testemunho do caráter de Cristo no seu dia-a-dia e, certamente, possui maior possibilidade de ganho e aquisição de bens.

Este princípio nos indica que o cristão não deve ter sentimento de culpa pelo fato adquirir riquezas. O dinheiro, como dito anterior, não traz consigo uma carga de pecado. O cristão deve ganhar tudo o que puder, porém, não de qualquer forma! Existe uma ética bíblica a ser observada, que estabelece a vida como prioridade absoluta do Reino de Deus [“No debemos obtener dinero a expensas de la vida”] (OW. Tomo III, p.224). Esta ética estabelece algunas condições a aquisição de riquezas.

a) Não podemos prejudicar nosso corpo:

O corpo humano é dádiva de Deus. Todo ser humano tem por responsabilidade cuidar bem de sua saúde física, sobretudo aquele que ouve a Palavra de Deus e tem seu corpo como templo do Espírito Santo. Por isso, “Cualquier motivo que sea lo que la razón o la experiencia demuestran ser destructivo a nuestra salud o fuerzas, no nos sometamos a ello, sabiendo que la vida es más valiosa que la comida, y el cuerpo que el vestido” (Idem, p.225).

O cristão não pode submeter-se a uma carga de trabalho que prejudique sua saúde, seja em trabalhos manuais ou em trabalhos que exijam que a pessoa permaneça muito tempo assentada. Existem muitos ofícios que colocam os trabalhadores em contato com substâncias nocivas. Ainda, há muitos profissionais que, por ganância, não disciplinam sua jornada de trabalho e trazem sobre si enfermidades. Também, o cristão não pode ser submetido a um trabalho que lhe traga prejuízos físicos. Ele tem, biblicamente, o direito de requerer melhores condições de trabalho, em respeito à sua humanidade.

b) Não podemos ferir nossa alma-consciência:

A consciência do cristão deve ser norteada pelo Evangelho, não pelos intentos do mundo capitalista. “Porque por ganar dinero, no debemos perder nuestras almas” (OW. Tomo III, p.225). A intenção de ganhar dinheiro não deve estar acima das leis de Deus, tampouco das leis do País que vivemos. Não é lícito ao cristão enganar ao próximo em algum negócio, ou cobrar preço muito além do que um produto realmente vale. Deve haver uma transparência e um respeito pelo outro no trato com os negócios. A mentira ou a dissimulação não são coisas permitidas para aqueles que se dizem seguidores de Cristo.

De igual modo, o cristão deve cuidar de obedecer às leis comerciais de seu País, em tudo que essas leis não contrariam a Palavra de Deus, pagando seus impostos, declarando sua renda, etc. Também, os que trabalham em empresas públicas ou privadas devem ter um comportamento exemplar, na honestidade e retidão de caráter.

c) Não prejudicar o negócio do próximo:

A liberdade de mercado e a competitividade são características ímpares dos tempos de hoje. Cada comerciante pode fixar seus preços, oferecer seus bens e serviços de modo a cativar a sua clientela. Isso é lícito, desde que não haja uma ação deliberada para prejudicar o negócio do próximo. “... debemos ganar todo lo que podamos sin perjudicar a nuestro prójimo. Porque no debemos, no podemos hacerlo, si amamos a nuestro prójimo como a nosotros mismos” (OW. Tomo III, p.226).

Essa condição para o ganho do dinheiro é muito desafiadora, pois ela questiona um comportamento “predatório” presente no mundo dos negócios – que é estimulado pelas empresas, especialmente por aquelas que buscam dominar o mercado. Será que sempre precisamos eliminar o outro para que nossa sobrevivência seja garantida? Ou nosso desejo de acúmulo de riquezas nos faz olhar para o próximo como um inimigo a ser derrotado, aniquilado, destruído? Não seria este sentimento contrário à Palavra de Deus?

d) Não prejudicar o corpo do próximo:

E, se não devemos prejudicar os negócios do próximo, muito menos o seu corpo (Cf. OW. Tomo III, p.227). Mas quando isto ocorre? Quando um dono de empresa, que se afirma cristão, forçosamente submete seus funcionários a longas jornadas de trabalho, ganhando dinheiro à custa do bem estar físico dos trabalhadores; ou quando a indústria e o comerciante ganham dinheiro na venda de produtos que são prejudiciais à saúde, como é o caso da venda de drogas lícitas.

“...todos los que venden estos licores en la forma tradicional, a cualquier persona que desa adquirirlos, son envenenadores al por mayor” (Idem). Quando buscamos colocar o amor ao próximo em todas as dimensões da vida, percebemos existem muitas atividades que, mesmo que permitidas pelas leis do País, não são recomendáveis aos cristãos [como é o caso da venda de bebidas alcoólicas].

Ganha tudo o que puderes. Sim! Mas com trabalho honrado. Seja testemunha do Evangelho de Cristo em todas essas situações da vida, para que não ser envergonhado no dia em que Deus requerer de ti os frutos de arrependimento.


3.2. Guarda tudo o que puderes

Como é difícil guardar dinheiro! Essa é uma frase comum entre a maioria das pessoas, que reconhecem sua incapacidade de resistir ao seu desejo de compra. A vontade de ter e gastar com prazeres diversos escraviza o coração de muitos. Porém, todo dinheiro ganhado de forma honrada e com diligência deve ser administrado de forma exemplar, como recomenda A Parábola do Adminitrador Fiel (Lucas 16:1-13).

João Wesley dava o seguinte conselho:

No tires el precioso talento al mar (…). No lo tires gastando en cosas que no retribuyen. Que seria lo mismo como tirarlo al mar. No gastes nada meramente para satisfacer los deseos de la carne, los deseos de los ojos, o la vanagloria de la vida (OW. Tomo III, p.230).

Em todos os tempos, ter dinheiro e/ou posses significou ter poder, influência, status, etc. A maturidade espiritual para lidar com o dinheiro não é comprovada somente quando o ganhamos de forma honrada e honesta. Também devemos saber gasta-lo. O cristão não deve utilizar-se do dinheiro para satisfazer os desejos da carne, os desejos dos olhos, nem as vaidades (vanglória) da vida. É nesse momento que o cristão é provado acerca de seu caráter: quando tem poder (dinheiro) em suas mãos.

Aprender a guardar o dinheiro e não gastar com coisas que somente satisfazem nossos desejos e apetites é exercício de domínio próprio. Aquele que pensa em satisfazer seus desejos o faz inutilmente, porque são insaciáveis. Quanto mais cultivados, mais aumentam, num ciclo interminável de sensualidade, ambição e vaidade. O cristão não pode ser dominado por seus desejos de consumo. Ele deve ter senso crítico diante das propagandas e apelações do mercado, que afirma: somente tem valor a pessoa que compra. Neste sentido, somos convidados a deixar tudo que é supérfluo de lado, vivendo na simplicidade, guardando o máximo possível de recursos.


3.3. Dá tudo o que puderes

Primeiro, ganha tudo o que puderes; segundo, guarda tudo o que puderes. Mas, para quê? Por que motivo o cristão deveria guardar seu dinheiro? A Palavra de Deus não recomenda que não devemos guardar tesouros na terra, mas sim nos céus? Então, dispor de tantos recursos? A resposta está no terceiro princípio: dá tudo o que puderes.

Para atender a este princípio, o cristão deve suprir suas necessidades pessoais, garantindo a saúde física e vigor para o trabalho; também, deve garantir à família e a todos os que vivem debaixo do seu teto as condições necessárias para a vida; depois disso, deve ajudar os menos favorecidos da “família da fé”; e, havendo ainda recursos, deve dar auxílio a todos os pobres e necessitados em sua cidade. Para a fé cristã, nenhum valor teria tanto dinheiro conquistado e economizado se não fosse para servir de instrumento do amor a Deus e ao próximo. Não é esta a finalidade primeira e última do viver cristão? Não é esse o cumprimento de toda a Lei de Deus?

O cristão “bem sucedido” que compreende a radicalidade da mensagem bíblica pode utilizar-se de seus recursos materiais para benefício de muitos. É por isso que, vivendo num contexto de muita pobreza e vários problemas sociais, Wesley afirma:

... en el presente estado de la humanidad, el dinero es un obsequio excelente de Dios para satisfacer los fines más nobles. En las manos de sus hijos [filhos de Deus], representa comida para el hambriento, agua para el sediento y vestidura para el desnudo. Provee dónde reclinar la cabeza al viajero y al extranjero. Por él podemos ofrecer a una viuda sustento como el de un esposo, o apoyo como de un padre a quien no lo tiene. Podemos ser defensa al oprimido, un medio de salud al enfermo o alivio a quien sufre dolor. El dinero puede ser ojos al ciego o pies al cojo. Si, puede alzar de las puertas de la muerte. (OW.Tomo III, pp.224).

Quanta caridade e libertação pode promover aquele que possui recursos financeiros e aceita a Palavra de Cristo em sua vida? Quantos investimentos missionários podem ser realizados por aqueles que compreendem que Deus simplesmente os coloca por administradores (mordomos) de Seus recursos? Verdadeiramente, aquele que possui dinheiro de sobra e não partilha com o necessitado, engana a si mesmo; pois pensa que tem o dinheiro, quando na verdade o dinheiro o tem. É escravo do dinheiro e carece da Graça de Deus para que compreenda que “o amor do dinheiro é a raiz de todos os males” e não traz ao ser humano a “paz que excede a todo entendimento”.


Conclusão

A relação do cristão com o dinheiro é um tema que necessita ser mais discutido em nossos ciclos teológicos. Enquanto não tratamos do assunto com a seriedade e atenção que necessita, muitos falam, escrevem e ensinam heresias, “supondo que a piedade é fonte de lucro”. A começar dos teólogos e pastores, que as comunidades cristãs possam assumir uma espiritualidade sadia, desprendida dos bens materiais. Que tenhamos a maturidade para fazer a seguinte oração:

“Te entrego todas mis posesiones materiales. Que las aprecie y use solamente para ti. Que pueda restituirte fielmente, en los pobres, todo lo que me has confiado, parte de lo necesario para vivir; y que sea feliz separándome de ellas también en cualquier momento en que tú, oh Dios, las requieras de mi mano”.(OW.Tomo IX, p.43).


BIBLIOGRAFIA

Biblia Sagrada. Versão Revista e Atualizada. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

GONZALES, Justos (Editor Geral). Obras de Wesley. Tomo III. FranklinTennessee: Providence House Publishers, 1996.

GONZALES, Justos (Editor Geral). Obras de Wesley. Tomo XIV. FranklinTennessee: Providence House Publishers, 1996.

KLAIBER, Walter & Manfred Marquardt. Viver a graça de Deus: compêndio de teologia metodista. São Bernardo do Campo/São Paulo: Editeo/Cedro, 1999.

Um comentário:

  1. so sei que dinheiro na vida do cristao er funfamental, pra td tem um poder estrondoso aqui na terra,se nao tivemos uma vida financeira boa perdemos nossas familia, amigo e familiares, o dinheiro e tudo, euma nescesidade na vida do cristao

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