10/28/2009

Martinho Lutero e os eternos desejos de reforma da Igreja

Martinho Lutero (ou Martin Luther) nasceu em 10 de novembro de 1483, na cidade de Eisleben, Alemanha. Quando Martinho ainda era criança, seu pai Hans (de origem camponesa) conseguiu obter uma independência econômica e passou a integrar o ciclo de famílias mais prósperas da cidade de Mansfeld. A pertença a uma família economicamente ascendente garantiu que Lutero tivesse acesso à boa educação oferecida na época. “Sua educação não destoou da dos demais jovens criados nesse círculo: a vara sempre estava presente, havia muito rigor, mas também bastante amor. A piedade na casa paterna também não destoava da piedade reinante: submissão à Igreja e crítica aos maus costumes de monges e do clero secular” (Dreher, p.23).


Durante sua educação, Lutero sofreu a influência de diversos grupos e pensadores que fomentavam uma postura mais crítica diante da Igreja. Na adolescência, teve contato com os Irmãos de Vida Comum, que se firmavam na teologia de místicos medievais como Tomas Kempis. Como estudante de Artes, teve como mestres pensadores da “via moderna”, que interpretavam a filosofia Aristotélica na perspectiva de Guilherme de Ockahm. Mais tarde como professor de Bíblia, seguiu o princípio dos humanistas bíblicos, que buscavam o retorno às origens da fé cristã no estudo aprofundado da Bíblia. Importante mencionar que Lutero fazia parte de um momento histórico onde, assim como ele, muitos outros cristãos assumiam uma postura de reformadores da Igreja e da sociedade medieval como um todo. Temos o exemplo de John Wicliff, John Huss e Jerônimo Savonarola (pré ou proto reformadores), como cristãos que ousaram defender uma reforma da igreja e por isso foram julgados e mortos como hereges.


E aqui estamos nós, metodistas, celebrando mais um dia 31 de outubro. Nesta data, protestantes de todo o mundo celebram a iniciativa tomada por Martinho Lutero, que em 1517, afixou as suas 95 Teses nas portas da capela de Wittenberg. Com este ato – símbolo da Reforma Protestante, Lutero protestou contra a teologia medieval da penitência e contra a venda de indulgências; também defendeu a primazia da Palavra sobre a Igreja; a primazia de Cristo sobre o Papa; a justificação pela fé; o sacerdócio universal dos crentes; e ainda, promoveu uma séria reforma litúrgica que tirara o fiel da condição de “platéia” para a condição de “participante” do culto a Deus. A reação da Igreja foi imediata, procurando sempre impedir que as idéias de Lutero e seu espírito de inconformidade conquistassem mais adeptos. Porém, nada mais podia impedir os rumos que a Reforma Protestante assumira. Assim como Lutero, pessoas como Zwinglio, Tomás Müntzer, João Calvino e outras se destacaram como “fomentadores” das reformas religiosas e socioeconômicas que ocorreram no final da Idade Média.


A semelhança de Lutero, João e Carlos Wesley foram cristãos extremamente inconformados com o seu século e assumiram a postura de reformadores da Igreja e de seu país. Daí porque em 1744 os metodistas afirmarem que sua missão não era de formar uma nova seita, mas de reformar a nação, e especialmente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica por toda a terra. O metodismo nasce de um espírito reformador e é esta a sua essência e vida. Nos processos de constante recriação de nossa identidade, cabe a cada metodista brasileiro fazer uma auto-análise, orientada pelas seguintes questões: tenho um espírito inconformado coma realidade presente de minha Igreja e de meu país? Tenho sido fiel ao intento reformador do metodismo? Tenho procurado transformar o meio em que vivo segundo os princípios de amor e justiça propostos na Bíblia? (ou) Tenho assumido uma postura reacionária, considerando todo princípio de reforma como heresia?


Que Deus nos dê sabedoria para discernirmos nossas intenções, nossos caminhos. Que ele nos capacite a sermos luz que de fato ilumina e sal que de fato tempera. Que ele nos dê força e coragem para buscar a concretização de nossos eternos desejos de reforma.

Fonte:

SILVA, Gidalti Guedes. “Martinho Lutero e os eternos desejos de reforma da Igreja”. Expositor Cristão. Jornal mensal da Igreja Metodista. Ano 119, No 10. São Paulo, outubro de 2005, p.13.

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