5/13/2010

O deus de prateleira

Conversando com alguns irmãos em Cristo, tenho percebido como nós, Igreja, temos nos afastado da graça de Deus e do seu verdadeiro amor, para nos aproximarmos da lógica capitalista e, do mercado, fazendo disso, a nossa teologia.

Quero te dar uma noticia má e uma boa. No salmo 115, o salmista fala a respeito de uma adoração a ídolos feitos pelos próprios homens,e diz que aqueles que confiam (adoram) neles (v. 4-8), tornam-se parecidos com eles. Mas o que isso tem haver com os nossos dias? Me parece que o salmista estava vivendo no meio da igreja evangélica hoje. Como disse pastor Ricardo Barbosa, “estamos vivendo o momento em que Deus fala em resposta a nossa oração ao invés de nós orarmos em resposta a fala de Deus”. Nós perdemos, na caminhada evangélica, a noção de que a iniciativa, sempre é de Deus (Mt. 19:25-26). Com isso, ao passar dos anos, e com uma forte influencia norte-americana em nossa teologia, nós fomos deixando de lado a teologia da graça, e criamos a teologia do mérito (prosperidade), e “deus” passou então a estar sujeito as nossas “orações”: eu determino isso, eu quero aquilo, faz assim agora, nós exigimos os nossos direitos, etc. Parece até que estamos entrando num supermercado e podemos pegar aquilo que nos convêm: - Bom, vou pegar este carro aqui; opa, vou pegar este milagre ali; beleza, essa benção aqui. Assim acabamos por fazer deste “deus de prateleira” o nosso deus. Esse deus satisfaz nosso ego, por isso, criamos um deus que apenas supre nossas necessidades, e o resto é conosco mesmo, a gente mesmo resolve, e é bom se relacionar com este deus, a gente faz qualquer coisa pra ele e ta tudo certo. Só que com o passar dos dias, lido com pessoas frustradas, feridas, com um buraco na alma, vazias, porque, no final, elas também estão virando produtos de prateleiras, porque estão tornando-se semelhantes a esse deus. Esse deus criado por nós, só poderia ser algo parecido conosco. A má noticia que quero te dar, é que, nós não suportaríamos viver conosco mesmo ( longe da graça).
Apesar disso, ainda existe outra saída. No verso 1, o salmista começa dizendo, “não a nós Senhor, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade” A boa noticia que eu quero te dar, é que, o Deus vivo e verdadeiro, é Deus que age primeiro, é Deus que nos amou antes mesmo de nós sabermos o que é amor, é Deus que morreu por nós, é Deus que nos salvou de graça, e que não espera nada de nós para nos alcançar, simplesmente precisamos reconhecer: - eu não consigo Senhor, mas você pode. A teologia da graça nos dá esperança. Nela o pecador é perdoado, arrepende-se, e vive uma vida de santificação, para a glória de Deus como forma de gratidão a Deus pelo que Ele fez e, se ele pecar, tem um Advogado Justo diante do Pai. Adorar a Deus é então para nós viver com Ele e ser perdoado por Ele. Sem merecimento, mas também sem culpa.
Alguém disse: Antes que Deus dissesse: haja luz, ele disse haja cruz! Deus não está em nossas prateleiras, ele diz e nós o obedecemos. Não merecemos nada, é graça de Deus, em Cristo Jesus, que nós dá a oportunidade de dizermos, não a nós Senhor, mas a Tua vontade.

Luiz Eduardo Caraline
Blog "Pensando Alto"

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