5/19/2010

Wesley, o equilibrista da fé

Certa vez, quando ainda era pastor-acadêmico na Igreja Metodista em Barueri, Estado de São Paulo, uma irmã me perguntou: - Pastor, o que você é, carismático, tradicional ou político?
Com carinho respondi àquela irmã, dizendo: - Minha querida, os “rótulos” de carismático, tradicional ou progressista nunca conseguem representar verdadeiramente nossa experiência de fé.

O problema é que cada um desses “rótulos” enfatiza aspectos específicos da vida cristã. Por exemplo: os tradicionais enfatizam a soberania de Deus, a ordem no culto e a idoneidade moral; os carismáticos enfatizam a santidade pessoal, a salvação da “alma” e a experiência com o Espírito Santo; e os progressistas enfatizam a vida comunitária, o testemunho social da Igreja e a prática libertadora de Jesus.

Pessoalmente, considero anti-evangélico que sejamos obrigados a escolher dentre esses “rótulos” de espiritualidade. Todos eles nos trazem dimensões importantes da fé cristã.

Wesley, o equilibrista

Um problema constante na briga dos “rótulos” é que cada um tem o seu próprio João Wesley. Para fundamentar seu tipo de espiritualidade, cada grupo busca se firmar na tradição metodista de algum modo, chegando a fazer análises históricas distorcidas.

Chamo Wesley de “o equilibrista”, baseado em estudos de sua história e teologia, que reconhecem sua capacidade de articulação e síntese das diversas influências que recebeu em sua época. João, como bom Pároco da Igreja Anglicana, adotou a via média como postura pessoal e doutrinária. A via média era a preocupação anglicana de estabelecer um equilíbrio entre as variadas ênfases teológicas presentes na vida da Igreja.

Não é tão simples ser um equilibrista da fé. Do contrário como muitos afirmam, Wesley não foi linear, estático, em sua caminhada religiosa. Hora pendia para a busca de santidade dos místicos católicos como Tomas Kempis, hora pendia para o pietismo dos Morávios, hora assumia princípios de vida dos puritanos, etc., até alcançar a maturidade.

Ser equilibrado não é estar em cima do muro. Equivocadamente, alguém poderia entender que ser equilibrado é ficar em cima do muro. O equilíbrio wesleyano não é fruto de uma indecisão, mas de uma convicção de que as pessoas que adotam posturas extremistas não colaboram para a unidade da igreja e estão, assim, prestando um desserviço à obra de Deus.

Equilíbrio e aprendizado mútuo


A busca do equilíbrio é saudável para o cristão, pois o torna mais completo no conhecimento de Deus e na realização de Sua obra. Como metodistas, devemos estar abertos para enxergar o valor do outro, aprender com o outro; devemos ser cúmplices, companheiros, no cumprimento da missão que Deus nos delegou. Amém.

Referências:


SILVA, Gidalti Guedes. “Wesley, o equilibrista da fé”. Desafios da Amazônia. Boletim Episcopal da Igreja Metodista – Campos Missionários da Amazônia. Ano IV, No 10. Ministério de Comunicação. Porto Velho/RO, 2005.

Um comentário:

  1. "Como metodistas, devemos estar abertos para enxergar o valor do outro, aprender com o outro; devemos ser cúmplices, companheiros, no cumprimento da missão que Deus nos delegou. Amém"

    Gida, isso nos faz crescer em unidade, e nao crescer em desunião, como instituição.

    ResponderExcluir

Pesquisar este blog