4/22/2011

Páscoa: e se Jesus estivesse entre nós


Certa vez, um jovem carpinteiro, conhecido de muitos camponeses, falava pelos campos, pelos vales e pequenas cidades. Ele ensinava sobre amor e justiça, acolhia os empobrecidos e discriminados. Suas palavras incitavam uma nova forma de ver as coisas, dando esperança aos oprimidos, que levantavam a fronte diante das diversidades. Ele dava testemunho de um Deus que oferece salvação de graça, salvação que ocorre todos os dias pela manifestação do amor deste Deus nos corações e mentes.


Após três anos liderando discípulos, a elite judaica estava preocupada com suas idéias. A forma como ensinava cativava as pessoas, por que falava com muita autoridade. Tentaram comprá-lo, dissuadi-lo de seus intentos, mas ele se manteve firme. Então procuravam outra alternativa, manchar sua imagem, fazendo falsas acusações. Foi desta forma que foi preso, duramente castigado e morto.


Não se tratava de um revolucionário das armas, pelo contrário, sempre primou por uma postura pacífica. Porém, suas palavras revolucionavam pensamentos, abriam novas possibilidades para aqueles que se sentiam cativos da desesperança. Ele deu vista aos cegos, ao mostrar que um outro mundo é possível. Eis uma lista de seus crimes:
·         
     - Não abrir mão de seus ideais, nem mesmo do seu amor pelos que sofrem;
·         - Continuar ensinando sobre a justiça e o amor, mesmo diante de ameaças por parte dos poderosos;
·         - Ensinar os escravos a compreenderem que Deus os chamava para a liberdade;
·         - Falar de um Deus que reprovava o egoísmo e as estruturas sociais injustas de seu tempo.

Creio que, caso Jesus estivesse aqui, nós cristãos, que dizemos ser seus discípulos, seríamos os primeiros a considerá-lo como uma pessoa desajustada. Provavelmente, ele não teria emprego em nossas empresas, não seria convidado para eventos importantes. Caso Jesus se destacasse entre as pessoas, provavelmente seria atacado de nossos púlpitos, tido como herege, pois fala de um Deus que salva as pessoas sem cobrar nada delas. Se pudéssemos, se tivéssemos força política, provavelmente colocaríamos Jesus na cadeia, ou utilizaríamos de nossas influências para deixá-lo de fora de toda vida política.

Também, se Jesus estivesse ensinando em nossas igrejas, provavelmente não seria convidado para ser pastor, nem mesmo para dar aula em nossos seminários teológicos. Seria tido como rebelde, pois suas palavras não suscitariam a harmonia e conformidade com este mundo. Longe disso, ele traria inconformidade de espírito, e conseqüente desarmonia social, promovendo transformações das mais significativas. Que o sofrimento e morte de Jesus nos ajude a rememorar como ele viveu.


 

Talvez seja por isso que um de seus seguidores, chamado Paulo, deixou escrito: “não vos conformeis com este mundo”.

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