11/23/2012

Boa música é a que vende mais!



Somos a segunda e a terceira geração de brasileiros que cresceram sob a influência direta dos meios de comunicação. Somos crianças, adolescentes e jovens que tiveram sua subjetividade cativa da cultura de massa, que reduz a arte a produto, que cultua o consumo, que glorifica o entretenimento e tem nos números e nas cifras a prova de que uma música faz sucesso. Boa música não é a que revela intuições artísticas profundas! Boa música é aquela que vende, aquela que o público gosta.

Neste contexto, vários artistas deixam de produzir o lhes agrada pessoalmente, para produzir aquilo que agrada o público, produzir o que vende. O público estabelece o que é “bom”. O problema é que o gosto das pessoas é determinado, predominantemente, pela cultura onde estão inseridas. O problema é que, em nosso contexto, a “cultura popular” já é “cultura fabricada” e não a manifestação das significações de sujeitos autônomos, nem mesmo da força das culturas locais.

É neste momento que o ciclo se fecha. De um lado, o processo de urbanização capitalista e as mídias contribuíram para a massificação cultural, provocando um nivelamento e relativo controle dos gostos e tendências de consumo. Do outro lado, artistas adéquam sua música às lógicas e fórmulas estéticas que satisfazem as massas, sedentas da pseudoarte que oferece entretenimento e entorpecimento das consciências individuais.

Sou levado a concordar que a aprovação popular e o sucesso de uma música é a maior marca de sua adequação às lógicas da arte-fabricada e não manifestação de sua essência artística mais profunda.  Sei que existem tantos e tantos artistas que buscam a superação dos condicionantes materiais e ideológicos sobre a subjetividade humana. Mas neste texto, meu olhar e crítica estão sobre a arte fabricada, que se vende como algo de boa qualidade, mas que revela a essência artisticamente pobre da massa de alienados.

Porto Velho, 23 de novembro de 2012.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pesquisar este blog