5/22/2015

Diálogos sobre espiritualidade e cultura contemporânea

Na disciplina Cultura Religiosa, tenho por habito desencadear alguns debates sobre temas polêmicos. Um destes debates foi desencadeado pela pergunta:

a) O que é espiritualidade?
b) Quais os perigos e riscos que a cultura contemporânea apresenta para a formação de nossos sonhos, valores, sentido de vida, da espiritualidade e da própria religião?


RESPOSTA DO ALUNO:
A) Espiritualidade é uma coisa criada pelo homem onde este se lança em uma eterna e constante "procura humana" pelo sentido da vida, tornando o homem receoso e submisso a um hipotético castigo divino, para que este não faça o que lhe convir a qualquer momento, mantendo suas intenções alinhadas e direcionadas a fazer o "bem" não porque acha que é o certo mas sim pelo fato de temer uma punição divina que por ventura lhe venha a acarretar nesta ou em uma provável vida seguinte.
B) Em um mundo de tecnólogias desenfreadas e enormes mudanças culturais, ainda existem relutantes quanto a cultura do capitalismo, estes que tiveram suas ideologias moldadas desde cedo pela sua religião buscando paz interior ou alguma resposta espiritual tendem a questionar fortemente os beneficios da globalização. entretanto apesar de existirem variadas e distintas religiões com diferentes dogmas e preceitos, nenhuma até hoje conseguiu viver alheia a esses avanços trazidos pelo capitalismo, tanto é que ressalvando algumas exceções como monjes budistas e alguns, ninguém vive sem embrenhar no "mundo das posses", uma vez que até mesmo grandes lideres religiosos que pregam o desapego material para seus fiés não abrem mão de enriquecerem as custas dos mesmos. hoje temos  a tecnólogia e a ciência ao nosso favor, tornando a vida muito mais longínqua e agradável, os valores do século XXI certamente não são os de 2015 anos atrás, hoje somos mais superficiais por termos a ciência e a tecnólogia ao nosso favor, mas podemos gozar de muitos outros beneficios que se pesados na balança acaba por ser maiores que os maleficios, por isso penso que a religiosidade de cada individuo não deve ficar alheia a cultura conteporânea do capitalismo, mesmo que esta por vezes tente trazer diferente conceitos de felicidade nem sempre aceitaveis pela religião, dessa forma cabe a  cada individuo com suas ideologias se moldar como convier na sociedade atual e não tentar remar contra a maré do desenvolvimento cultural.

MINHA RESPOSTA AO ALUNO:
Prezado Breno,
Na resposta acerca da Espiritualidade, você disse: " Espiritualidade é uma coisa criada pelo homem". A partir de então você discorre sobre a vida religiosa como algo criado pelo próprio ser humano, que busca uma elevação moral temendo as punições divinas.
Primeiro, mesmo aqueles cientistas sociais que não acreditam na existência de Deus, quando estudam o fenômeno religioso, admitem que a "espiritualidade" não é algo criado, mas sim uma dimensão da existência humana, presente em todos nós, independentemente da pessoa acreditar em uma divindade ou em uma doutrina evolucionista científica.
Segundo, você assume uma postura reducionista da experiência religiosa, quando afirma de modo generalizado que as pessoas obedecem à moral religiosa simplesmente pelo medo da punição. De fato, muitos agem desta forma, posso até dizer que a maioria das pessoas. Entretanto, a proposta cristã (por exemplo), quando compreendida em sua essência, apresenta uma proposta de vida moral e de relacionamento com Deus que é muito mais profundo que uma relação de "medo". A comunhão com Deus vai muito além disso.
Por fim, a proposta desta reflexão não é buscar uma vida alienada, totalmente desconectada dos avanços tecnológicos e científicos da modernidade. Pelo contrário, a busca é, por meio de duros questionamentos, convidar o aluno a tomar consciência dos "perigos" da cultura contemporânea. Recomendo que você leia filósofos da ESCOLA DE FRANKFURT, como Theodor Adorno, Hannah Arendt, Zygmun Bauman, além de outros autores como François Lyotard e Fridjof Kapra, além dos clássicos como Soren Kierkegaard, Sigmund Freud, Karl Marx e Edmund Hussel. Eles nos ajudam a compreender como nossa sociedade está correndo sérios riscos.
Sua forma de interpretar a realidade cultural está sob influência direta do "mito do progresso moderno", do evolucionismo social e do positivismo de Augusto Comte. Não sei se você tem consciência teórica disso, mas deixo para você um alerta: esta linha de pensamento tem sido duramente questionada ao longo do século XX, sobretudo por cientistas que realmente estão preocupados com o desenvolvimento da humanidade, não somente em seu aspecto tecnológico, mas também no campo da moral, do respeito ao próximo, da busca de humanização das relações.
Abraço.

O QUE VOCÊ, PREZADO LEITOR, TEM A DIZER SOBRE ESTE ASSUNTO?


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