10/31/2015

Apresentação de Trabalho no II CIPEEX






O Centro Universitário de Anápolis (UniEVANGÉLICA), a Faculdade Evangélica de Goianésia (FACEG) e demais Instituições mantidas pela Associação Educativa Evangélica (AEE) organizaram o II CIPEEX (Congresso Internacional de Pesquisa, Ensino e Extensão), dos dias 27 a 30 de outubro de 2015.

Neste evento, o Prof. Gidalti apresentou um trabalho de pesquisa no Simpósio Temático "Saberes e Expressões Culturais do Cerrado", no dia 29. Abaixo seguem algumas informações sobre a pesquisa.

TÍTULO: PENTECOSTAIS FRENTE À SOCIEDADE: ESTUDO DA PROPOSTA DE ATUAÇÃO CIDADÃ CONTIDA NA IDENTIDADE RELIGIOSA DO PENTECOSTALISMO BRASILEIRO".

RESUMO:
No âmbito dos saberes acerca da cultura religiosa, este artigo apresenta uma análise da identidade religiosa do pentecostalismo brasileiro e sua proposta de atuação cidadã. Buscou-se uma classificação tipológica do movimento pentecostal brasileiro, tomando por base aspectos históricos e culturais que influenciaram na diferenciação entre os grupos pentecostais. Seguidamente, o artigo discorre acerca da importância das doutrinas escatológicas para a constituição da identidade religiosa, uma vez que, por pertencer ao âmbito da linguagem mítica peculiar ao fenômeno religioso, a escatologia é elemento decisivo no estabelecimento da visão de mundo e da própria construção de sentido de vida, o que influencia na postura assumida pelos sujeitos frente à sociedade. Por fim, na terceira seção, são analisadas as propostas de atuação sociopolítica subjacentes a duas doutrinas escatológicas. O pré-milenarismo, segundo o qual o Reio de Cristo será inaugurado de forma repentina, em um evento cataclísmico quando do retorno de Cristo, precedido por uma deterioração na condição social e espiritual da humanidade; e o pós-milenarismo, que advoga que a volta de Cristo será precedida por um período de paz e prosperidade, que se estabelecerá de modo processual ao longo da história, por meio do testemunho dos cristãos. A primeira doutrina escatológica propõe a negação do mundo, a alienação e a passividade, enquanto a segunda propõe uma postura mais proativa e otimista diante do mundo, que pode redundar na busca individualista das graças divinas para o tempo presente, ou em uma atuação cidadã consciente e propositiva frente às contradições da sociedade contemporânea. 

QUADRO TIPOLÓGICO DO PENTECOSTALISMO BRASILEIRO
Pentecostalismo Clássico
Primeira Onda
Pentecostalismo de Cura Divina
Segunda Onda
Neopentecostalismo
(ou Pós-pentecostalismo)
Terceira Onda
Escatologia pré-milenarista
Escatologia pré-milenarista
Escatologia pós-milenarista
Ênfase na iminente volta de Cristo, no dia do Juízo e no Reino eterno.
Ênfase na iminente volta de Cristo, no dia do Juízo e no Reino eterno.
Ênfase nos benefícios do Reino de Cristo para a vida presente.
Prega o arrependimento do pecador, o batismo no Espirito Santo e o falar em outras línguas (glossolalia).
Prega a cura física como direito do crente, o arrependimento do pecador e o batismo no Espirito Santo.
Prega a prosperidade financeira, as curas físicas e emocionais, a guerra espiritual contra Satanás.
Menospreza a formação escolar e teológica de suas lideranças. Algo que tem mudado gradualmente desde 1950.
Incentiva a formação teológica de seus líderes, sem maiores restrições quanto à escolaridade.
Tem a formação teológica acadêmica como inútil e inapropriada para a formação dos obreiros e pastores.
Rigidez moral, ascetismo, rigor nos usos e costumes e distanciamento da sociedade.
Rigidez moral, maior liberalidade que os Clássicos, aberta para usos e costumes e para diálogo com as novas tendências da sociedade.
Menor rigidez moral, aberta quanto aos usos e costumes, diálogo com as novas tendências da sociedade de consumo do mundo globalizado.
Utilização de metodologias mais tradicionais de evangelismo, como pregação pessoal e cultos evangelísticos nos templos.
Utilização de novas metodologias de evangelização, com ampla utilização do rádio, além do evangelismo pessoal, da utilização de tendas e cultos ao ar livre.
Intensa utilização do rádio e da televisão, cultos temáticos de acordo com necessidades específicas, evangelismo pessoal e trabalhos assistenciais.
Tendência à passividade perante questões políticas e sociais.

Nas últimas décadas, buscou maior participação política, mas sempre conduzida pela liderança religiosa.
Abertura para participação de questões sociais, com apelo patriótico, contudo, sem dar autonomia à membresia, que deve seguir as orientações da liderança religiosa.
Declarada abertura para questões políticas e sociais, conduzindo os membros em um projeto de expansão do poder político, da influência econômica e do prestígio social da denominação.

REFERÊNCIAS
COMBLIN, José. O despertar da Igreja Católica para a cidade. Revista Vida Pastoral. Fé cristã vivida na cidade (I). São Paulo: Paulus, 2002 (Maio-Junho). pp.10 a 17.
CROATTO, José Severino. As linguagens da experiência religiosa: uma introdução à fenomenologia da religião. São Paulo: Paulinas, 2010.
CUNHA, M. D. N. A explosão gospel: um olhar das ciências humanas sobre o cenário evangélico no Brasil. Rio de Janeiro: Instituto Mysterium Mauad Editora, 2007.
CUNHA, Magali. A vida e a missão da Igreja Metodista (1987 a 1997): uma tentativa de avaliação. In: CASTRO, Clóvis & CUNHA, Magali. Forjando uma nova igreja. Dons e ministérios em debate. São Bernardo do Campo: Editeo, 2001.
FRESTON, Paul. Evangélicos na política brasileira: história ambígua e desafio ético. Curitiba: Encontrão, 1994.
FRESTON, Paul. Pentecostalismo. Belém: UFPA/UNIPOP, 1996.
MARIANO, Ricardo. Neopentecostalimo: os pentecostais estão mudando. São Paulo, USP, 1995.
MENDONÇA, Antônio Gouveia. Evolução histórica e configuração atual do protestantismo no Brasil. In: MENDONÇA, A.G.; VELASQUES FILHO, Prócoro. Introdução ao protestantismo no Brasil. São Paulo: Loyola, 2002. (Ciências da Religião).
OLIVERIO, Marcio Araujo; SILVA, Gidalti Guedes da. Uso do Twitter por candidatos evangélicos a deputado no estado de São Paulo. Disponível em: . Acesso em: 15 set. 2010
REILY, Duncan Alexander. História documental do protestantismo no Brasil. São Paulo: ASTE, 1993.
SIEPIERSKI, Paulo D. Contribuições para uma tipologia do pentecostalismo brasileiro. In: GUERREIRO, Silas (Org.). O estudo das religiões: desafios contemporâneos. São Paulo: Paulinas, 2008.


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