Curso de Oratória - Turma 2

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3/01/2019

Texto 4 - Exercícios para o cultivo da espiritualidade cristã


Prof. Me. Gidalti Guedes da Silva


De acordo com o que refletimos na aula passada, a espiritualidade cristã, em diversos aspectos, não se adapta tão prontamente ao estilo de vida da sociedade atual. Vimos como a cultura contemporânea reforça no ser humano alguns aspectos, como o individualismo, egoísmo, indiferença, falta de amor e de relacionamentos sinceros, o hedonismo (culto ao prazer), além de tentar reduzir a espiritualidade humana aos sonhos de consumo e falsa felicidade amplamente difundidos pela cultura de massa.

Hoje, vamos refletir acerca do cultivo da espiritualidade cristã a qual deve auxiliar no desenvolvimento da personalidade humana, promovendo uma experiência de vida cotidiana que tenha a Graça de Deus por parâmetro existencial, afetivo e moral. A experiência pessoal com o amor de Deus é o fundamento da espiritualidade, devendo ser reafirmado cotidianamente. Todo cristão deve dedicar-se ao cultivo de sua espiritualidade, como modo de aperfeiçoamento de seu caráter e atuação profissional.  Neste ponto, surge a questão: como cultivar a espiritualidade cristã na atualidade? Antes de tratarmos diretamente acerca do Culto Cristão, observemos algumas pistas para o cultivo da espiritualidade cristã no cotidiano.

Cultive uma vida de Oração
Quando dedicamos tempo diário à oração, estabelecemos a vida espiritual como prioridade de nossa agenda pessoal. A oração deve ser inspirada no Pai Nosso (Mateus 6.9-13), estabelecendo a vontade de Deus como prioridade, para depois atentarmos para nossas necessidades materiais e espirituais. Em nossas orações, devemos reconhecer o senhorio de Cristo, buscando aprimoramento de nosso interior, mediante a ação do Espírito Santo.

Estude a Palavra de Deus
O caráter de Deus, sua Graça e Amor são destaques em todas as Escrituras. As narrativas bíblicas revelam a vontade de Deus para nossas vidas, expressando os valores e exemplos bíblicos que devem inspirar nossos sentimentos e ações. Devemos cultivar o hábito de estudarmos a Bíblia, numa atitude devocional e investigativa, mantendo sempre vivo o desejo de conhecer e vivenciar a vontade de Deus.

Busque a quietude e a meditação
O aperfeiçoamento de nosso caráter depende dessa capacidade de desacelerar nossos pensamentos e nossa rotina. Porém, por causa do ativismo do mundo do trabalho e da ansiedade pelas conquistas materiais, as pessoas possuem muita dificuldade de dedicar tempo para ficarem quietas, em atitude meditativa, reflexiva e de autoexame. Regularmente, retire tempo para se aquietar, orar, ler a Bíblia e fazer um autoexame.

Desenvolva a atenção e o autocontrole
Todos os dias, somos submetidos a uma vida corrida, além de sermos bombardeados por um volume altíssimo de informações que acabam nos deixando com uma percepção superficial das coisas. Vivemos a rotina sem dedicarmos uma real atenção às coisas, às pessoas e a nós mesmos. O caminho para o autocontrole (domínio próprio) está na atenção que temos para nossas reações emocionais involuntárias, atenção para os reais motivos de nossas escolhas. Devemos desconfiar de nossos impulsos, submetendo-os ao crivo dos valores da Palavra de Deus. Este é um dos segredos do jejum, o qual promove o aumento de nossa atenção e discernimento espiritual, no momento em que exercemos disciplina sobre o corpo.

Aprenda a contemplar a criação
A criação é o livro escrito por Deus, em uma linguagem compreensível para toda e qualquer pessoa. Porém, na vida urbana, geralmente temos contato e valorizamos os objetos fabricados, deixando a natureza em segundo plano. Cada um de nós deve buscar esta sensibilidade para perceber o belo, a vida e a mensagem de Deus presente no mundo criado. Todo autor deixa traços de sua personalidade na obra de arte. De igual modo, traços do caráter e da beleza do criador estão presentes na criação, em cada ser vivo, nas cores, na complexidade de cada ecossistema. Quando contemplamos a criação, compreendemos que fazemos parte de uma totalidade criada, o que nos confere sentido de cuidado e consciência de nossa relação de interdependência com tudo e todos.

Exercite a partilha e a generosidade
Uma das formas mais eficazes de contrariar nossa tendência de busca de poder e idolatria do dinheiro é o exercício da partilha. Não há pecado algum em conquistarmos recursos financeiros e bens por meio do trabalho ético e justo – pelo contrário, a Palavra de Deus nos orienta a sermos trabalhadores e sábios administradores. Porém, nosso espírito não pode se identificar com essas conquistas, como se elas fossem razão de nossa existência. Daí a importância de estabelecermos a partilha dos bens como um exercício espiritual que disciplina nossa “alma consumista”, aproveitando para manifestar concretamente o amor de Deus na vida de pessoas menos favorecidas.

Aprenda a ser humilde, servindo
O sentimento mais profundo vinculado à queda humana está na vaidade, de onde provém o desejo de poder sobre o outro (Gênesis 3). O autoritarismo, a ganância, o egocentrismo, o culto ao prazer, até mesmo o machismo e outras formas de violência (física ou simbólica) são manifestações da vaidade humana. Este foi um elemento central do testemunho de Jesus, revelado como tema central do Evangelho de Marcos e presente no testemunho do apóstolo Paulo aos Filipenses (capítulo 2). O poder do Evangelho está na vitória da humildade sobre toda vaidade e arrogância de espírito. O melhor caminho para trilharmos este caminho é servindo ao próximo, cultivando o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus.

Busque a comunhão dos irmãos e irmãs
A experiência da comunhão com Deus nos desafia a rompermos com o individualismo, com a indiferença afetiva, quebrando as barreiras relacionais impostas pelo medo, violência e pela competitividade excludente. A espiritualidade cristã também se efetiva no âmbito comunitário e social, conferindo à fé uma dimensão pública. Por mais imperfeita e desafiadora que seja, devemos viver na comunhão dos irmãos, tendo humildade para reconhecermos nossos erros diante do próximo, e aprendendo a exercer o amor e o perdão para com ele.

Celebre a Graça e o Amor de Deus
Existem dois sentimentos que devem fazer parte de nosso cotidiano: a gratidão e o contentamento. Mesmo em momentos de escassez, enfermidades e duras lutas da vida, devemos celebrar a Graça de Deus. Mesmo nos momentos em que não conseguimos compreender o porquê de estarmos enfrentando tais dificuldades, nunca podemos duvidar do amor de Deus por nossas vidas. Esta atitude de constante louvor a Deus fortalece nossa fé, subjugando o pessimismo com a esperança. Esta esperança é fonte de uma alegria no Espírito de Deus, independente das circunstâncias que enfrentamos. 

Refletindo
Veja bem! Não se trata de fugirmos dos problemas, mas de olharmos para eles tendo confiança em Deus, o que nos fortalece para seguirmos em frente com perseverança, travando novas batalhas.

Essa atitude de celebrar a Graça e o Amor de Deus deve fazer parte de cada pessoa, tanto individualmente, quanto comunitariamente. O culto cristão comunitário nasce desse desejo de celebrar a Deus, em devoção e gratidão profunda. É ocasião em que um grupo de pessoas devidamente organizadas presta um serviço de louvor e adoração a Deus e busca o fortalecimento de sua fé, consolando e auxiliando uns aos outros.

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IMPORTANTE!
A experiência pessoal com o amor de Deus é o fundamento da espiritualidade, devendo ser reafirmado cotidianamente.

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Goianésia, GO, Brazil
Teólogo, Pedagogo, Especialista em Teologia e História Metodista, Mestre em Educação. Professor do Eixo de Humanidades na Faculdade Evangélica de Goianésia (FACEG/UniEVANGÉLICA); Palestrante; e Professor de Arte Marcial (Karatê).

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